Editorial

 
 

Editorial


Pela forma intensa com que é apresentado pode até surpreender, mas o carnaval não é uma unanimidade entre os baianos. Segundo pesquisa (Secult/PED –RMS – Convênio UFBA/DIEESE) de cada cinco soteropolitanos, quatro não participam da folia momesca. Além de não ser unanimidade, o carnaval tem revelado aspectos preocupantes para, entre outros, o segmento cristão evangélico. Algumas dessas questões precisam ser mais bem discutidas com toda a sociedade e não apenas por quem faz e/ou tem interesse no carnaval. A permissividade sexual, por exemplo, que subjaz a esses dias, acaba por contribuir para sérios problemas sociais como o expressivo número de crianças geradas nesse período (sem levar em conta os eventuais abortos) que jamais conhecerão seus pais ____ os assim chamados “filhos do carnaval”. As doenças sexualmente transmissíveis, o alto nível de alcoolismo, a violência, o turismo sexual… ____ essas realidades, majoradas na folia, não podem ser secundarizadas mesmo diante dos fortes interesses comerciais do carnaval de Salvador. O enriquecimento de uns poucos e o empobrecimento de muito de nossa cultura (Permanecemos na monocultura? ____ ainda a do axé!) a que é submetida nossa cidade deve ser fruto de maior reflexão por todos nós, especialmente levando-se em conta que parte desta festa, cada vez mais prive, conta com recursos públicos. Quando chegamos ao ponto de necessitar da lei da deputada Luiza Maia que proíbe o patrocínio público de músicas que estereotipe as mulheres pela vulgaridade de suas letras é porque o sinal vermelho acendeu, mesmo que certo daltonismo coletivo registrasse apenas um amarelo esverdeado. A questão da segurança do carnaval é um grande desafio para a polícia militar, pelo modo e nas proporções que acontece agora, reunindo cerca de 500 mil foliões, notadamente no circuito Barra-Ondina, que se encontra cada vez mais concentrado, trazendo uma inquietação procedente a toda a cidade. A presença de um pequeno exército ____ são 15000 soldados da PM ____ prenuncia uma guerra. E os tapumes nos prédios a chegada de um furacão. Mas é só o carnaval. O contingente maciço de homens num perímetro tão pequeno acaba por fragilizar o policiamento no resto da cidade e estado. A situação a que o trânsito em geral e os moradores do circuito, em particular, são submetidos, o descompasso e a desafinação econômica entre os blocos de trio, de cor predominantemente branca, e a “pipoca”, de cor predominantemente negra, e a crescente camarotização do circuito são outros fatores que devem levar a cidade a se perguntar: O carnaval pode continuar, nessas proporções, na forma e local em que acontece hoje? É como se todo ano a cidade segurasse uma banana de dinamite em uma mão e um isqueiro na outra, aceso, e aproximasse bem um do outro. Na quarta feira de cinzas, como não há cinzas, porque, graças a Deus, e a dedicação dos órgãos públicos civis e militares, não houve uma explosão, todos respiram aliviados e tudo continua como antes no quartel de Abrantes. Será necessária uma tragédia para que o óbvio venha a ser tratado? Quem serão os responsáveis, se Inês já estiver morta? Espiritualmente falando, nesse período há um certo “Chega prá lá Deus. Depois a gente conversa”. Assim se faz por se crer assim: Deus e alegria são coisas que não combinam bem. E com todo respeito que se deve ter a expressão particular de cada um, como cristãos desta cidade, cremos que há um equívoco em se querer viver a alegria sem a companhia e a vontade de Deus e de seu Filho que, aliás, dá o nome a esta cidade: Jesus, o Salvador. Não se discute o direito legítimo de se divertir e se alegrar. Mas pode-se divergir saudavelmente em como se chegar lá. Como cristãos, cremos que alegria e Jesus, tem tudo a ver. Pois foi assim que surgiu, não sem certa dose de uma santa ironia, na terra do carnaval, uma alternativa para esses dias: o ESPIRITUAL DE SALVADOR. Ele revela uma nova tendência entre cristãos que anteriormente apenas se retiravam da cidade. Hoje, cada vez mais igrejas permanecem na cidade nesses dias e realizam diferentes atividades, através da música, dança, orações de paz pela cidade que, no ambiente de liberdade e diversidade que caracteriza o nosso povo, comunicam a mensagem cristã, buscando a prevenção de drogas e abusos sexuais e a importância dos relacionamentos familiares saudáveis. Três ações básicas acontecerão de 12 a 18 de fevereiro. A primeira são as 130 HORAS DE ADORAÇÃO. Uma chama contínua realizada com música e oração diante Daquele que os cristãos creem que tudo criou e sustenta com seu amor. Acontece em diversos templos na cidade e reúne cem igrejas de vários segmentos cristãos. Também busca-se compartilhar a mensagem do amor de Deus a quantos queiram ouvi-la no PALCO EVANGÉLICO instalado na Ademar de Barros. Às vezes, mesmo no carnaval, pessoas estão muito tristes. E receber uma palavra amiga faz muito bem ao coração de qualquer um. No sábado, às 09h, temos a CELEBRAÇÃO DA UNIDADE que, com a ajuda de um trio, reúne cristãos da cidade que se deslocam de Ondina até a Barra. No percurso, músicas e orações pela paz da cidade e pela própria igreja, para que supere suas próprias contradições e possa contribuir mais por uma Salvador transformada num lugar de paz e alegria o ano todo e cada vez mais. Neste ano, além de participações de músicos regionais, Pierre Onásis, Dera Barbosa, Álvaro Júnior, Radicalize, Orquestra Filarmônica Evangélica de Salvador e MHSCD; cantores da música cristã nacional estarão presentes como Adhemar de Campos, de São Paulo; Cláudio Claro, do Rio de Janeiro; Sóstenes Mendes, de Belo Horizonte e Asaph Borba, também de São Paulo. Que esses dias sejam de paz, alegria e justiça, valores que manifestam o reino de Deus entre nós, como resposta da oração que Jesus mesmo nos ensinou a fazer: “Venha a nós o teu Reino. Seja feita tua vontade” entre nós, moradores desta encantadora e desafiadora cidade do Salvador. Amém.

Coordenação do Espiritual de Salvador

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